Somos o que vivemos.

No outro dia esbarrei com um artigo que me chamou a atenção pelo título:  A vida não precisa ser só trabalhar, pagar contas e morrer! . Escrito por Amanda Areias, designer tal como eu, não podia estar mais certa, "somos cobrados o tempo todo". Identifiquei-me como ela logo na primeira linha. A primeira linha diz tudo.

Certo é que crescemos pressionados pela sociedade, por quem nos dá formação, por quem nos torna homens e mulheres. Temos que tirar boas notas na escola, entrar na faculdade, ter um bom emprego, arranjar um bom carro, casar e ter filhos. Quem nunca ouviu estes conselhos?! Todos nós os ouvimos e a grande maioria seguiu de facto estes ideais de vida.

Eu ouvi e segui por pouco tempo. Fiquei um ano a melhorar uma disciplina para entrar na faculdade que eu queria e no curso que escolhi. Licenciei-me em 4 anos e estive mais dois a tirar um mestrado. 6 anos volvidos, uma tese de mestrado nunca feita e exercício zero como Arquitecta Paisagista. Vários acontecimentos fizeram com que começasse a trabalhar num bar à noite e que orientasse a minha vida noutra direcção. Ainda tentei durante vários meses concentrar-me na tese de mestrado mas percebi que não seria aquilo que me ia fazer feliz. Lá se tinha ido o que teria sido planeado para mim: sair com sucesso da faculdade e ter um emprego de gente grande!

Segundo Amanda, "não nascemos neste mundo maravilhoso, cheio de lugares diferentes, de pessoas singulares, comidas exóticas (...)" para estarmos confinados a 4 paredes. Não concordo a 100% com a Amanda pois todas as pessoas têm as suas necessidades económicas básicas. Todos nós temos. Não se trata de ter mais ou menos zeros no banco, trata-se de ter para viver.

Eu, por exemplo, considero-me uma pessoa bem sucedida. Faço o que gosto, tenho uma casa, o melhor marido do mundo, 8 patas para me receber, um aquário cheio de peixes para alimentar e uma horta para regar. Já fui a festivais de verão, já saltei do início ao fim de alguns concertos, já ri e chorei com os meus amigos, já juntei à mesa muitos outros. Fotografo momentos felizes, momentos de complicidade e momentos de emoção pura. Já servi às mesas, já andei com uma bandeja cheia de copos e de cascas de tremoços. Já servi cafés, já distribuí sorrisos e também já ouvi os que precisavam de ser ouvidos. Já tive dois empregos ao mesmo tempo, já fui de directa para o trabalho seguinte.

Nós somos isto. Somos o que vivemos, não os zeros que temos na conta. Somos as pessoas que conhecemos, os livros que lemos, os filmes que vimos. Somos as memórias que construímos, somos os sorrisos que provocamos. Somos os lugares que visitamos, somos as pessoas com quem nos cruzamos. Somos um souvenir no frigorífico da última viagem, somos as fotografias que temos no telemóvel. Somos quem abraçamos, somos o frio e o quente. Somos o lugar a que pertencemos: O mundo.

Por isso, deixem-me vos dar um conselho: vivam. Sirvam cafés e distribuam sorrisos por aí. Juntem os vossos amigos na carpete da sala e riam juntos, tirem fotografias e criem memórias. Juntem dinheiro e viajem pelo mundo.

Porque os loucos são aqueles que não procuram a felicidade.







Minimalismo a dois

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