O dia dos 30.

Chegámos a casa por volta das 23h. Depois de descermos uma coluna de nuvens cinzentas, de apanhar o metro em direcção ao Oriente, de comer rapidamente 3 azinhas de frango e de apanhar o próximo comboio para Santarém, a sogra foi buscar-nos à estação e estávamos, finalmente, em casa.

Uma hora depois abri o postal que a Maria Inês Timóteo me enviou de Dublin. Estava a casar os anos e oficialmente tinha chegado aos 30. Passado pouco tempo adormeci no sofá da sala.


De manhã não estava em êxtase e nada eufórica por ter este número tão redondo comigo. Mais tarde fomos almoçar: eu e ele, as sogras e a avó. O Arroz de Tamboril estava delicioso. Foi talvez um dos pontos altos do dia dos 30. Ao jantar, houve reunião cá por casa: o arroz doce da minha mãe estava presente. Assisti a parte da receita e a meia dúzia de ingredientes mas não gravei o processo. Só gravei o sabor e a textura. Inigualável a qualquer um que já tenha comido.
Foi o dia do arroz. Arroz de Tamboril, Arroz doce e ainda Arroz de Risotto. O Risotto da minha mãe também não é igual a qualquer um que tenha comido e muito menos comparável ao risotto tradicional italiano. Não tem mesmo nada a ver. Mas faz-me viajar no tempo, nos sabores e nas saudades.

A mãe (a minha) esqueceu-se de encomendar o meu bolo de aniversário de sempre: encharcada de ananás. Um Red Velvet de uma grande superfície fez o obséquio do desenrrasca mas não fez juz ao dia, ao sabor e à substituição. Cantámos os parabéns: a mim pelos 30, à sogra pelos 57 e à Avó pelos 80.  

Entrar nos 30 podia provocar uma barreira psicológica. Heya pá! Cheguei aos 30! Mas muito pelo contrário. Já o sentia antes, sentia que estava a viver a vida na sua plenitude à uns anos. Estou a absorver os momentos e os sabores da vida in loco. Chegar aos 30 poderia significar filhos e algumas portas fechadas. Mas estou num momento da minha vida em que muitas são as possibilidades em aberto, tantas são as oportunidades de viver a vida tal como ela é. Porque, na minha perspectiva, somos nós que fazemos a nossa vida.

Sobrou arroz de tamboril, de risotto e doce. Foi assim o dia dos 30.






Minimalismo a dois

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